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O Templo de Madeira Mais Antigo do Mundo

O templo de madeira: resistência que atravessa séculos

O santuário comprova que a matéria prima resiste ao tempo com mais de 1.300 anos, reforçando o valor histórico e estrutural do templo.

Quando se pensa em edificações feitas de madeira, é impossível não lembrar de Horyu-ji, o templo Budista. O templo se  localiza na cidade de Nara, no Japão, inaugurado em 607, e o príncipe Shotoku concebeu sua estrutura sob projeto de Kongo Gumi. Além disso, o santuário figura como o primeiro patrimônio da humanidade reconhecido pelo país oriental e detém o título.

Templo de madeira milenar: resistência, durabilidade e valor histórico

Ao todo, o complexo reúne 187.000 metros quadrados de terrenos e mais de 2.300 estruturas e artigos culturais importantes no cenário histórico do Japão.

Inicialmente, o santuário dedicou-se a Buda como oferenda para curar a doença do pai do príncipe, o 31º imperador Yomei. No entanto, um incêndio ocorrido no ano 670 extinguiu o templo original, segundo consta no Nihon Shoki, a primeira crônica da história do país editada no início do século VIII. Posteriormente, a reconstrução, que partiu das ruínas encontradas, constitui o atual Saiin Garan (recinto oeste), que inclui o Kondoo (pavilhão principal), Gojuu-no-too (pagode com cinco andares), Koodoo (auditório) e Chuumon (portão central). O Kondoo – pavilhão principal – representa justamente a parte que leva o título de construção de madeira mais antiga do mundo, onde se encontra uma torre de mais de 30 m de altura de madeira maciça.

Além de seu valor como patrimônio histórico, reconhecido pela Unesco, no seu interior existem diversas estátuas de Buda. Produzidas nos períodos Asuka (552-645), Hakuho (645-710) e Tenpyo (710-794), inclusive a famosa estátua chamada Trindade de Shaka. É possível encontrar ainda 12 paredes cobertas por pinturas murais históricas.

O templo Horyu-ji também conserva em seus alicerces a influência arquitetônica grega, assim como em suas obras artístico-religiosas. Percebe-se essa alusão principalmente nas curvaturas dos pilares do corredor Saiin Garan, que mostram a similaridade com as passarelas do Parthenon de Atenas, na Grécia.

Uma construção de tamanha magnitude resistiu ao tempo e a diversos regimes implantados. Isso prova que a madeira como matéria prima das construções pôde proporcionar durabilidade e resistência ao templo Horyu-ji, graças à ousadia japonesa de investir em edificações desse tipo. Confira mais sobre as modalidades de construção oriental e veja o projeto de um prédio de madeira de 70 andares com árvores para atrair pássaros.

Por Caroline Nunes